Já virou rotina ouvir alguma polêmica de Marco Feliciano na mídia. A última dizia sobre a "cura" da homossexualidade. Me surpreende como as pessoas adoram criticar os jornalistas acusando fulano, ciclano e beltrano de manipulação, mas sequer procuram saber o outro lado da história.
A chamada "cura" da homossexualidade existe? Pode comprar em farmácia? Todo mundo vai ser obrigado a fazer? Vai acabar com o direito das pessoas de serem gays?
A resposta para todas essas perguntas é a mesma: NÃO! Óbvio que não, meu povo! Orientação sexual não tem nada a ver com doença, e muito menos é algo que deva ou não ser curado. Ser gay ou não, é algo vem de cada um de nós, é questão de gostar ou não de alguém do mesmo sexo, e ser respeitado por isso.
A questão é outra, completamente diferente. Você sabia que no Brasil uma pessoa não pode procurar auxílio de um profissional da psicologia para entender melhor sua orientação sexual? Pois é, desde 1999 o Conselho Federal de Psicologia proíbe que profissionais do ramo trabalhem com pacientes que enfrentam problemas de conflito interior em decorrência da dúvida ou rejeição de sua homossexualidade.
Vamos imaginar que um homem heterossexual comece a sentir desejos homossexuais e comece a passar por conflitos internos na sua mente: "Será que eu realmente sou, será que não sou? Algo está estranho comigo." Pois bem, esse homem resolve procurar um psicólogo, não para se curar, mas como todos nós sabemos, para buscar compreender sua própria mente, buscar dentro de si mesmo as respostas para seus problemas. Se você acompanhou o raciocínio até aqui deve já saber o desfecho da história. Este homem não terá nenhum apoio profissional de psicólogos e terá de buscar as respostas dessas perguntas por conta própria.
Vou antecipar seu pensamento, ó leitor, e supor que você concorda que toda pessoa tem o direito de conhecer seu íntimo e tirar suas próprias conclusões de sua orientação sexual, e assim concordamos, eu e você amigo leitor, que o psicólogo não irá curar ou infectar nenhum paciente, mas apenas lhe fornecer as ferramentas que este indivíduo precisa para chegar lá.
Chegamos então à parte política da coisa. O deputado Roberto de Lucena criou o projeto de lei 234/2011 que buscava legitimar ao profissional de psicologia o direito de atender pacientes com transtornos e conflitos internos relacionados a sexualidade (ou orientação sexual, se acharem que este último termo é o mais correto). Bem, o projeto foi então aprovado pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara, presidida pelo deputado Marco Feliciano, que não é nenhum santo, é bem verdade, mas que é parcialmente inocente nessa história.
Segundo Roberto de Lucena, a mídia, que adora por apelidos nos projetos de lei e emendas, apelidou pejorativamente a medida de "cura" para a homossexualidade, contra a vontade da bancada religiosa. Você pode conferir o artigo escrito por ele no site da Folha de São Paulo para entender melhor a situação: http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/1205311-tendenciasdebates-pela-liberdade-de-atendimento.shtml
Ok, voltemos então aos processos psicológicos. Como ja discutimos aqui, ninguém vai entrar num consultório de um psicólogo, conversar durante meia hora e sair de lá heterossexual. Acreditar nisso, dá forma como a mídia te faz acreditar, só prova o quanto você é ignorante. Desculpe!
Se você prestou atenção a este texto, o que o psicólogo irá fazer no consultório é fornecer ao paciente a capacidade de por si só descobrir o que se passa em seu íntimo. E isso vale tanto para aquele que vai descobrir sua heterossexualidade quanto também aquele que vai de fato descobrir sua homossexualidade. Conseguiu visualizar onde eu quero chegar? O que determina sua orientação sexual está dentro de você. poderíamos discutir horas se isso é genético ou não, mas o importante aqui é o seguinte: A aprovação desse projeto de lei é altamente democrática. Ela apenas está sendo explorada de forma unilateral na mídia.
Conversei com muitas pessoas no facebook sobre o tema. Quem acompanhou o raciocínio direitinho questionou: "Eu entendo, a pessoa pode tanto se descobrir homossexual como heterossexual e seguir seu caminho, ok. Mas o problema é que vão aparecer muitos pais querendo forçar seus filhos a se tornarem heterossexuais à força através desses tratamentos."
Bom, infelizmente queridos, assim como a homossexualidade não possui cura, o preconceito também não. É claro que vão surgir sim muitas pessoas que vão querer consultar psicólogos para se verem livres da homossexualidade, mas se lá no fundo, bem lá no fundo essa pessoa tiver certeza que é gay, só vão restar duas escolhas: Aceitar e dar à cara a tapa, vencer todo o preconceito e lutar pelos seus direitos; ou se reprimir e viver a vida inteira fingindo ser alguém que não é.
Aí a discussão é outra. É longa, e não quero entrar em detalhes. Os cristãos tem seus motivos religiosos para não aceitar a homossexualidade, e até compreendo os motivos, mas perante a lei, todo cidadão tem o direito de ser tratado com o mesmo respeito. Brancos, negros, gays, héteros, homens e mulheres.
E mais uma vez, espero que tenha ficado bem claro: A psicologia não obriga ninguém a ser ou deixar de ser gay. As respostas estão dentro de você mesmo.
3 comentários:
Vinícius, ficou muito bom o texto. Acredito que muitas pessoas têm opinião formada (de maneira equivocada) em relação a este tema, sem ter lido nada. Parabéns. Qual é o próximo tema?
Vinícius, ficou muito bom o texto. Acredito que muitas pessoas têm opinião formada (de maneira equivocada) em relação a este tema, sem ter lido nada. Parabéns. Qual é o próximo tema?
Edmilson
Olá Edmilson, obrigado pelo apoio. Ainda me decidindo sobre o próximo tema. Provavelmente será sobre os excessos com a Copa do Mundo
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